SEGURANÇA

Prevenção de engasgo (0-36 meses): alimentos de risco e objetos pequenos

Quais alimentos oferecem risco de engasgo, como cortá-los e por que bateria de botão e ímã são emergência? Regras para comer com segurança e a recomendação de um curso de primeiros socorros.

Equipe editorial HeyMom 🌸 Recém-nascido 6 min de leitura
Prevenção de engasgo (0-36 meses): alimentos de risco e objetos pequenos

Quando o seu bebê começa a introdução alimentar, e depois naquela fase curiosa em que leva tudo à boca, o medo de engasgo fica num cantinho da cabeça de muitos pais. A boa notícia é esta: a maioria dos riscos de engasgo pode ser bastante reduzida com medidas simples. Este guia se baseia nas recomendações do NHS, o sistema nacional de saúde do Reino Unido, e da Academia Americana de Pediatria (AAP).

Por que as crianças pequenas correm mais risco? Segundo a AAP, o risco é maior em bebês e crianças pequenas, porque exploram o mundo levando tudo à boca e têm vias aéreas pequenas. Quando não conseguem mastigar bem a comida, podem tentar engoli-la inteira. A AAP afirma que balões, bolas, bolinhas de gude, peças de brinquedo e alimentos pequenos e redondos são os que mais causam mortes por engasgo.

Alimentos de alto risco: a AAP recomenda não oferecer os alimentos abaixo, ou oferecê-los com o formato modificado, até os 4 anos ou mais, conforme o desenvolvimento da criança:

  • Salsicha e bastões de carne
  • Balas duras, grudentas ou moles e chiclete
  • Oleaginosas e sementes (especialmente semente de girassol)
  • Uva inteira
  • Legumes crus, como palitos de cenoura, e pedaços de fruta crua, como pedaços de maçã
  • Pipoca
  • Pasta de amendoim e outras pastas de oleaginosas em bolos grossos
  • Marshmallow
  • Pedaços de carne, cubos de queijo e queijo em fios

Como cortar? Segundo a AAP, alimentos redondos e duros, como salsicha ou uva, podem ser oferecidos quando estiverem totalmente picados em pedaços pequenos. A AAP recomenda cortar os alimentos dados a bebês e crianças pequenas em pedaços não maiores que meia polegada, ou seja, cerca de 1,3 cm, e ensinar a criança a mastigar bem a comida. Ofereça pastas como a de amendoim espalhadas numa camada fina, e não de colher ou em bolos.

Comer sentado e com supervisão: a AAP recomenda que bebês e crianças pequenas sejam sempre supervisionados na hora das refeições, que as crianças comam à mesa ou sentadas e que nunca corram, andem, brinquem ou se deitem com comida na boca. A AAP também lembra que muitos casos de engasgo acontecem quando irmãos mais velhos dão ao menor um alimento, brinquedo ou objeto pequeno perigoso; explique isso também aos seus filhos mais velhos.

Objetos pequenos: segundo a AAP, os objetos da casa que podem causar engasgo são:

  • Balões (segundo a AAP, o risco vai até os 8 anos)
  • Moedas e bolinhas de gude
  • Brinquedos com peças pequenas e bolinhas
  • Tampas de caneta e de canetinha
  • Seringas de remédio
  • Brinquedos que podem ser apertados a ponto de caber inteiros na boca

A AAP recomenda seguir as indicações de idade nas embalagens dos brinquedos e verificar com regularidade embaixo dos móveis e entre as almofadas do sofá à procura de objetos pequenos, como moedas e baterias.

Bateria de botão: sempre emergência. Segundo a AAP, uma bateria de botão ou uma bateria de lítio tipo moeda engolida pode causar lesões que ameaçam a vida e, se ficar presa no esôfago, pode queimar o tecido em 2 horas. Essas baterias ficam em controles remotos, termômetros, chaves de carro, relógios, cartões musicais e tênis que acendem. Confira se os compartimentos das baterias estão bem fechados e guarde os objetos que usam essas baterias longe do alcance do seu filho. A AAP lembra que mesmo baterias gastas podem ser perigosas. Se você suspeitar que o seu filho engoliu uma bateria, sem esperar sintomas, ligue imediatamente para o 192 (SAMU) no Brasil ou 112 em Portugal ou vá ao pronto-socorro mais próximo e diga aos médicos que pode ser uma bateria de lítio tipo moeda. Não tente fazê-lo vomitar e não atrase o atendimento de emergência por nenhum motivo. Segundo a AAP, uma bateria de botão no nariz ou no ouvido também exige atendimento de emergência.

Ímãs também são emergência: segundo a AAP, engolir mais de um ímã forte pode representar risco de vida, porque os ímãs podem se atrair dentro do sistema digestivo e causar danos graves. Sintomas como dor de barriga, vômito ou febre podem passar despercebidos porque se parecem com doenças comuns. Se você suspeitar que ele engoliu um ímã, mesmo sem saber quantos, sem esperar sintomas, vá imediatamente ao pronto-socorro mais próximo ou ligue para o 192 (SAMU) no Brasil ou 112 em Portugal. A AAP afirma que atrasar o tratamento pode levar a danos graves no estômago e no intestino, e até à morte, e que pode ser preciso fazer cirurgia. A AAP recomenda tirar de casa os ímãs fortes e verificar com regularidade se os brinquedos têm ímãs soltos.

Ânsia ou engasgo? Segundo o NHS, durante a introdução alimentar, a ânsia é um reflexo normal e faz barulho. O bebê com ânsia pode ficar com o rosto vermelho, os olhos lacrimejando, empurrar a língua para a frente ou vomitar. O engasgo, por outro lado, é silencioso. Em bebês de pele clara, a pele pode começar a ficar azulada; em bebês de pele escura, o tom azulado aparece mais nas gengivas, na parte de dentro dos lábios ou nas unhas. Segundo a AAP, não conseguir respirar, respiração com chiado ou entrecortada, não conseguir falar, chorar ou fazer nenhum som, ficar roxo, levar as mãos à garganta, pânico e ficar molinho e perder a consciência são sinais de engasgo que exigem ajuda imediata.

Se estiver tossindo, não saia de perto: segundo o NHS, se o seu filho estiver tossindo alto, incentive-o a continuar tossindo para tirar o que ficou preso e não o deixe sozinho. Se a tosse for silenciosa ou se ele não conseguir respirar direito, chame ajuda imediatamente. O NHS também lembra para não colocar o dedo na boca dele às cegas ou repetidas vezes, porque isso pode empurrar o objeto ainda mais para dentro.

Faça um curso de primeiros socorros: os primeiros socorros para um bebê ou uma criança engasgada são diferentes para bebês e para crianças com mais de 1 ano e se aprendem melhor com treinamento prático. A AAP recomenda que os pais façam um curso certificado de primeiros socorros e suporte básico de vida. Fazer um curso de primeiros socorros para bebês e crianças antes de o seu bebê nascer ou de começar a introdução alimentar ajuda você a saber o que fazer num momento assim.

Quando procurar o médico e quando ligar para a emergência? As recomendações do NHS:

  • Se o objeto não sair e o seu filho não conseguir respirar, tossir sem som ou não conseguir tossir de jeito nenhum, chame ajuda e ligue imediatamente para o 192 (SAMU) no Brasil ou 112 em Portugal. Se houver alguém com você, essa pessoa liga enquanto você cuida do seu filho; se estiver sozinha, coloque o telefone no viva-voz e não solte o seu filho.
  • Se o seu filho perder a consciência, ligue imediatamente para a emergência.
  • Mesmo que o objeto tenha saído, leve o seu filho a um serviço de saúde; um pedaço pode ter ficado lá dentro.

Quando suspeitar que ele engoliu uma bateria de botão ou um ímã, também ligue para a emergência sem esperar sintomas ou vá imediatamente ao pronto-socorro.

Querida mamãe, cortar cada pedaço de comida e catar do chão cada pecinha pode ser cansativo às vezes. Mas esses pequenos hábitos protegem o seu filho em silêncio todos os dias. E um curso de primeiros socorros vai dar a você confiança no momento em que mais for preciso.

Este conteúdo é apenas informativo e não substitui orientação médica. Consulte seu médico sobre qualquer assunto ligado à sua saúde.

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