Endometriose: diagnóstico, controle da dor e fertilidade
Síndrome de dor crônica que afeta 10% das mulheres em idade reprodutiva — o atraso no diagnóstico e os tratamentos atuais.

A endometriose é uma condição em que o tecido do endométrio, que normalmente fica dentro do útero, aparece fora dele (ovários, trompas, peritônio e, mais raramente, intestino e bexiga). Afeta 6-10% das mulheres em idade reprodutiva. Há um atraso médio de 7-10 anos no diagnóstico — conhecer esse problema é fundamental.
Sintoma principal: cólica menstrual (dismenorreia) — forte, que piora com o tempo, não responde a analgésicos e atrapalha a rotina. Outros sintomas:
- Dor profunda na relação sexual (dispareunia)
- Dor pélvica (também fora da menstruação)
- Dor para evacuar ou urinar durante a menstruação (disquezia, disúria)
- Queixas intestinais (alternância de intestino preso e diarreia, parecida com a síndrome do intestino irritável)
- Cansaço excessivo
- Dificuldade para engravidar (em 30-50% dos casos)
Por que o diagnóstico atrasa: a cólica é considerada “normal”, médicos a descartam como “variação da dor”, nem sempre aparece nos exames de imagem e, por muitos anos, esperava-se uma cirurgia (laparoscopia) para confirmar. As orientações atuais (ESHRE 2022) não consideram mais a laparoscopia obrigatória para o diagnóstico. Se você tem cólica forte e que vem piorando, não “aceite”: pergunte especificamente sobre endometriose.
Exames de imagem:
- Ultrassom transvaginal e ressonância pélvica — exames de primeira linha; podem mostrar endometriomas e endometriose profunda, mas nenhum dos dois é “padrão-ouro” sozinho
- Laparoscopia + biópsia — usada quando os exames de imagem não são conclusivos ou quando o tratamento é feito ao mesmo tempo
Observação: o diagnóstico pode ser feito pelo quadro clínico mesmo com exames de imagem normais (diretriz ESHRE 2022)
Controle da dor (1ª linha):
- Anti-inflamatórios indicados pelo seu médico — devem começar antes da menstruação
- Calor (bolsa de água quente, banho) — eficácia comprovada
- Exercício regular — libera endorfinas
- Fisioterapia pélvica — para a tensão muscular
- Alimentação (anti-inflamatória: ômega-3, antioxidantes, pouca carne vermelha)
Tratamento hormonal (supressão de 1ª linha):
- Anticoncepcional oral combinado — uso contínuo (suspende a menstruação)
- Progestagênios em comprimido (dienogeste, noretisterona) — reduzem a atividade do endométrio
- LARC: DIU hormonal (Mirena) — efeito local forte
- Agonista/antagonista de GnRH — em casos graves (efeito colateral parecido com a menopausa, precisa de terapia de reposição associada)
Cirurgia: a excisão (retirada das lesões) é superior à ablação e é a 1ª linha se o tratamento hormonal falhar ou se houver infertilidade associada. A histerectomia é o último recurso — não é “cura definitiva” da endometriose; ela pode voltar mesmo com os ovários preservados.
Infertilidade e gravidez: na endometriose leve, a inseminação intrauterina ou o coito programado podem dar uma chance. Nos casos moderados a graves, a FIV é a opção mais eficaz. É essencial conversar de forma realista sobre as “chances de gravidez” com o tratamento da endometriose — a laparoscopia nem sempre aumenta a fertilidade. O encaminhamento a um especialista em reprodução é valioso.
Querida, “a sua dor não é comum” — a endometriose é uma doença invisível, mas real. Fazer a sua voz ser ouvida é um direito seu. Ouvir mais de um médico e defender a si mesma vale muito. A doença tem controle, não é caso perdido — com a equipe certa, a qualidade de vida pode ser recuperada em grande parte.
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